Declaração dos Direitos do Livro

Declaração dos Direitos do Livro

A Associação de Editores da Região Centro de França redigiu uma Declaração dos Direitos do Livro (só podiam ser os franceses). Eu, como tento ser cuidadoso (que é como quem diz, muito pouco democrata) no que toca a estas coisas do livro, proponho desde já dois pequenos acrescentos ao Artigo n.º 1 para posterior ratificação no Parlamento. Assim, acrescento a alínea [a]: Desde que seja um Livro na verdadeira acepção da palavra, isto é, não valem manuais técnicos que acompanham os electrodomésticos e demais aparelhos, nem aqueles livros que são escritos por pessoas que fazem copy paste. E a alínea [b]: Desde que respeitem todos os direitos do leitor definidos por Daniel Penac, que são os seguintes:
O direito de não ler
O direito de saltar páginas
O direito de não terminar um livro
O direito de reler
O direito de ler qualquer coisa
O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível)
O direito de ler em qualquer lugar
O direito de ler uma frase aqui e outra ali
O direito de ler em voz alta
O direito de calar

Nota: Aceitam-se mais alterações à Declaração dos Direitos do Livro, excepto ao artigo n.º 4. Quanto aos outros, podem fazê-lo nos comentários.
Jaime Bulhosa

Declaração dos Direitos do Livro

Artigo 1
Os livros, todos os livros, têm direito a existir.

Artigo 2
Os livros são iguais entre si, sem distinção de origem, fortuna, nascimento, opinião ou editor.

Artigo 3
Todo o livro tem direito à vida, à comercialização, à possibilidade de ser exposto ao leitor e de proporcionar ao seu autor a de ser lido e renumerado com justiça.

Artigo 4
Todos os livros são iguais perante a lei, a qual os submete à igualdade de preço em qualquer lugar onde sejam expostos.

Artigo 5
Todos os livros têm direito a que, em qualquer lugar, se reconheça a sua personalidade, a personalidade do autor e do editor.

Artigo 6
O livro, como uma obra de imaginação bem como de investigação, dirige-se à imaginação e às necessidades do ser humano. Assim, na sua comercialização, não deve ser tratado como um simples produto de consumo corrente.

Artigo 7
O livro é e será garante das nossas liberdades. Não pode em nenhum caso ser submetido a alienação, seja no plano do pensamento, seja no plano da sua vocação fundamental, que é promover o livre intercâmbio de culturas, mentalidades e saberes.

Artigo 8
O livro, motivador da abertura de espírito, da ciência, dos prazeres, depositário do saber enquanto obra de criação, deve ser tratado como um bem indispensável para a cultura, a promoção social e espiritual e a informação, não pode ser tratado como uma vulgar fonte de lucros.
 
Post Origianl de  Pó dos Livros.
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